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Músicas pra debochar com seu gatuno

Minha vó tinha um gato preto. O codinome do quadrúpede era Tampinha, uma

simpática gatuna de olhos verde-metálicos.


A senhora Tampinha morava numa vila com meus avós, mas era difícil encontrá-la, de fato,

dentro do perímetro da residência.


A dona gatinha vivia de rolê, sempre desafiando a gravidade no parapeito que dividia a casa de

Vovó Jeanete com a propriedade do nosso vizinho.


Eu – do alto dos meus 5 anos – confesso que tentei de tudo para ser amigo dessa arisca vira-lata, mas ela não estava muito interessada, não. Era só eu aparecer que ela corria.


Extremamente evasiva – e com um ar de superioridade quase magnético – confesso que o fato

de ter sido rejeitado me deixou mais fascinado pelo universo do whiskas sachê.


Alguns dizem que ela era de fato esnobe, mas eu enxergava algo a mais ali. Ficava vidrado na

movimentação, principalmente quando ela resolvia escalar as coisas. Sua postura ereta,

imponente e elegante estava alerta 24 horas por dia, durante 7 dias por semana.


Posso ver seus olhos verdes me observando cuidadosamente. É uma onda.


Vez ou outra me pego pensando na tampinha... A essa altura ela já se foi, mas volta e meia

lembro dela zanzando por aí com a rapidez de uma sombra.


Pensei nela esses dias novamente e minha viagem dessa vez foi além. Imaginei uma playlist

que fizesse frente a toda classe e astúcia desse miau fosco que fazia tão pouco deste que vos

escreve.


Pensando nisso, preparei um set com sons groovados que, penso eu, seriam belíssimas trilhas

sonoras para observar Tampinha desbravando o mundo. Só gema, 25 takes e mais de 2 horas e

vinte daquele swing malandro que provavelmente é o que faz os gatos caírem em pé até hoje.


Solta o som, separa o catnip pra dar uma onda no felino e bote o dedão no play. MIAU.




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© 2020 by Cristiano Ramos