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Goles de Chá para tempos de Coronavírus

Atualizado: 10 de Jun de 2020

Foi em meio à onda do corona vírus que fizemos, online, a primeira entrevista com a Chá de Girassol. Primeira entrevista do Tapete Voador e primeira entrevista da banda, também, porque a Chá de girassol tá na ativa, a gente pode dizer, desde 2017, mas ficou de resguardo, na toca, durante esses três anos. Fazendo o quê? Aproximadamente 4 álbuns!


Não é mentira e nem exagero. A banda, formada por Brayan Thompson (vocal), Maycon Douglas (guitarra), João Guilherme (baixo) e Alan Pereira (bateria), fez um caminho, se não inédito, pouco convencional: trabalhou as composições, “uma porrada de sons”, segundo o Alan, ficou “invernada no estúdio” e sai a público só agora, em 2020, se apresentando logo com um disco cheio: 10 faixas de novidade pura.



“O Chá é a primeira banda em que eu canto. Foram uns 2 anos tocando baixo em outros projetos até que eu começasse a me inclinar para a escrita do som e começasse a cantar. Nessa época, então, eu montei uma outra banda com o Maycon na guitarra, foi mais ou menos um embrião do que é o Chá de Girassol”, lembra o vocalista Brayan Thompson.


Esse, que foi o comecinho da trajetória do Chá, dá algumas pistas do que o público vai encontrar no disco. Se é famosa a ideia de que compor em português é difícil, a Chá de Girassol tem justamente na canção a sua âncora de apoio. A banda parece ter se formado mesmo em torno das letras, compostas em maioria pelo Brayan, encontrou nas cordas um elemento de conexão, e deixou nas mãos do Alan, o baterista, a difícil tarefa de fechar as pontas do trabalho.


“Eu costumo dizer que o meu processo foi o mais difícil. Quando fizemos o primeiro show, em 2018, ainda não existia nenhum registro das músicas, eles [Brayan, Maycon e João] já estavam acostumados com o repertório e aí eu fiquei com essa missão de criar as baterias e subir no palco”, conta Alan Pereira, membro mais recente da banda.


De lá pra cá, a Chá de Girassol levou a sério o propósito da criação e o disco de estreia já sai do forno bem maduro, com idioma rock’n roll, guitarras altas e bateria pesada, passeia entre os 60, 70 e 80 e soa clássico! Mas o sotaque é indiscutivelmente brasileiro.


O trabalho, talvez pelo timbre do vocal ou pela performance de Brayan, nos remete ao Brasil dos anos 70. As letras safadas e o clima tropical também contribuem para essa impressão. “O rock nacional tem uma dinâmica diferente, né, não tem muito rótulo. Não é igual lá fora, onde existem vários subgêneros. Aqui, a gente acaba classificando tudo como ‘rock nacional’, desde o Sepultura até o Barão Vermelho.” reflete o baixista João Guilherme. “Talvez o nosso instrumental acabe remetendo um pouco o rock gringo, também, especialmente pelos solos de guitarra, que são mais compridos. A gente leva bastante essa coisa da guitarra pra frente”, complementa o guitarrista Maycon Douglas.


Se as letras parecem o fio condutor do trabalho, ao longo do disco o público vai encontrar alguma coisa de samba, baião e, a gente pode dizer, um certo calor latino. As influências não podiam ignorar clássicos como Sabbath, Hendrix e Stones, claro, mas os meninos da Chá de Girassol também lembram de trabalhos como o Cachorro Grande, Vivendo do Ócio e até Vinícius de Moraes. Isso fora os interesses pessoais, que variam da vida saudável do Alan até o cinema expressionista do Brayan, passando pelos assuntos místicos que interessam o Maycon e “uma cachaça de vez em quando” na vida do João.


“Acho que o disco é uma marca daquela fase, representa esse nosso começo. Agora, que ele tá pra sair, a gente tá botando em ordem as outras composições. O show mesmo já tem novas músicas, que não vão estar nesse disco. A ideia é gravar algumas prés, se ouvir, lapidar. A gente imagina que esse material rende até um quarto disco ”, comentam.


Em tempos de corona vírus não se pode mesmo falar em agenda de shows, mas já é possível sacar um pouco do trabalho nas redes da banda. Acompanhe o Chá de Girassol no instagram, youtube e também nas páginas do Tapete Voador. O disco autointitulado tem lançamento previsto para o dia 26 de junho, mas até lá tem faixa inédita que sai agorinha mesmo, no dia 12. Clique aqui para receber o trabalho em primeira mão e fique atento, tem mais novidade vindo por aí.


por Isabela Cunha.

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