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Folclore e fantasias: um caminho de escuta para o EP da Octópode

Aqui no Tapete, a Octópode é prata da casa. A banda faz parte do nosso casting e o seu primeiro EP acabou de fazer um ano. Para comemorar, o Tapete Voador organizou um especial, convidamos especialistas para fazer análises críticas e comentários sobre o trabalho, que foi lançado em 29 de junho de 2019. Confira a segunda de uma série de três críticas que serão publicadas sobre o disco. Essa, a seguir, é assinada pelo músico Scalassara Prando.



Fazer crítica sobre um álbum cujas músicas eu já escutei todas em apresentações ao vivo pode parecer fácil, mas a sensação é de que a responsabilidade aumenta - talvez, também, pelo fato de escutar o disco sabendo o que “está por vir”, sabendo quais são as formas de interação de que os músicos se utilizam.


Mas tudo isso é um ponto de vista subjetivo-analítico. Nessa crítica, quero trazer uma perspectiva de experiência para um novo ouvinte do trio, alguém que – como eu – não tem familiaridade com o gênero musical em questão, o Rock Progressivo (levando em conta que eu não sei exatamente qual o gênero sob o qual o trio se identifica, mas, na minha escuta e conhecimento, o Rock Progressivo é que mais me diz sobre).


Há também muitos elementos do gênero de Jazz, que perpassam os três instrumentos, seja na forma de improviso do baixo e da guitarra, na forma como o baterista conduz os ritmos, dando bastante atenção ao prato de condução e ao chimbal, marcado com o pé esquerdo, e no baixo, que mantém o “chão” harmônico bem estabelecido.


O que eu vou dizer pode parecer clichè, e talvez seja: o álbum tem uma direção que parece contar uma história, parece ter um caminho nos conduzindo. Isso provavelmente ocorre pelo fato de que sempre que eu me sento para escutar um álbum, eu observo a capa desse álbum como guia para o que está por vir. E, nesse caso, a pintura da capa corresponde muito bem à música. Mesmo antes, quando eu assistia o Octópode ao vivo e não havia uma imagem fixa me guiando, eu me sentia nesse local, um lugar carregado de folclores e fantasias.


O motivo porque eu já me sentia nesse local está atrelado às melodias e harmonias modais das músicas, no caso, a maioria das melodias são circulares, o final se junta com o começo, fazendo, assim, com que a música tenha um certo contínuo, igual às cantigas de roda.


A harmonia é praticamente estática, favorecendo bastante os improvisos. O interessante, também, é que boa parte das músicas parecem flutuar, e na minha percepção isso está relacionado ao fato de o baterista usar o bumbo como um jazzista usaria, não como algo marcado e firme, mas como um colorido a mais nas possibilidades sonoras da bateria - apesar de que, nos momentos em que a música e os músicos necessitam de uma marcação rítmica bem clara, “ali está" o bumbo, forte e preciso. Outra coisa que traz uma carga folclórica e fantasiosa para as músicas é a escolha dos músicos em usar flautas, seja a transversal ou as flautas doces.


O que mais há nesse álbum? Bom, essa pergunta, agora, deve ser feita por você, leitor. Eu poderia descrever mais e mais sobre as músicas, mas qual seria a graça nisso? Se eu descrever tudo, ou quase tudo, eu vou acabar “forçando” você a escutar como eu escuto, e eu, particularmente, não quero isso, e espero que você também não. Portanto, o álbum do Octópode está te esperando para essa jornada.




Texto por: Scalassara Prando

Foto: Lucas Werner


O primeiro texto da série está disponível neste link e foi escrito por Guilherme Espir.

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