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Black to the future

“A revolução não será televisionada”. Esse é um dos maiores lemas do guerrilheiro urbano, poeta, ativista, escritor e revolucionário, Gil Scott-Heron. Essa passagem foi dita em 1971, meu bom. Naquela época, Gil vivia no Bronx e usava seu flow – precursor no Hip-Hop – pra dar voz a quem não tinha.


Fazendo o que muitos hoje chamam de Slam Poetry, a poesia falada, Gil provava que apesar dos versos se desmancharem no ar, a verdade por trás delas era concreto puro. Declamando suas ideias com groove e ritmo intenso, trabalhar com banda foi apenas uma consequência natural da obra do mestre.


Mesclando Jazz, Soul, Funk e outras referências da diáspora, Gil ajudou o gueto no Bronx a levar essa discussão para outros lugares. O Gil era tipo aqueles brother de quebrada, que desce a viela sendo parado a cada 2 metros, pra ser dignamente cumprimentado por todo mundo, tá ligado? Pois então. Assim como o Gil, a música negra teve também Aretha Franklin, Quincy Jones, Jimi Hendrix... Rapaz, se me deixar falando eu vou até de manhã...


O que seria da arte, ou melhor, o que seria do mundo sem a existência, a resistência e a sensibilidade do povo negro? Não é só na música, está em todos os lugares, meu chapa, até porque, deixa eu conta uma parada pra você: apesar de serem tratados e definidos como minoria, a população negra corresponde a maioria da população.


É uma palhaçada e sempre foi, a diferença, é que hoje em dia existe a internet pra conseguir colocar esses abusos ao alcance público, porque mesmo passados quase 50 anos, o Gil Scott-Heron segue atual: “The revolution will not be televised”.


E ela de fato não será. Quando o George Floyd foi morto durante os últimos atos contra o abuso policial racismo nos Estados Unidos, por exemplo, você por acaso viu algum programa fazendo a cobertura? E sim, estou falando sobre a televisão brasileira.


Não teve nada, salvo aí uma citação ou outra rápida passagem dos curtos vídeos que circularam pelo Instagram e cia limitada. Noticiar a revolução e o teor subversivo da liberdade é justamente o que impede a quebra de paradigmas nessa luta contra a soberania a qualquer custo. Imagina se mais negros pudessem ver essas imagens? Tá com medo do que eles podem querer fazer? É melhor passar o repeteco de novela no “Vale a pena ver de novo”, né?!


É o medo do levante negro que afasta as mortes na Nigéria dos holofotes. É esse mesmo medo que não deixa os abusos policiais dentro de qualquer quebrada no Brasil... Imagina se a galera visse o George Floyd? Tá maluco, parceiro?


Por isso, em homenagem a todo uma cultura e a esse momento de uma Severina luta, o set de hoje é todo calcado no groove, na beleza e na grandeza da pele preta.


Agora segura o rojão.

Por Guilherme Espir

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