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Barbada, Etnyah e os shows na televisão: o Brasil aqui é punk

A Barbada encontrou na televisão a melhor saída para realizar o festival que comemora os seus 10 anos. Com uma programação de 12 shows, distribuída em dois finais de semana, o projeto deveria acontecer na rua, de forma gratuita, e prometia mesmo lotar a cidade. Diante da pandemia, entretanto, a produção foi obrigada a se reformular e o que a Leste e a Kinoarte fizeram foi colocar um clássico programa de música dentro da nossa casa.


Com entrevistas, cards na tela, pequenos quadros e dois apresentadores (Naná Silva e Marcelo Sapão), o Festival começou na última sexta, 21, com apresentações do Eletroímãs Catalíticos e da De um Filho, de Um Cego. No sábado, quem abriu a noite foi a Etnyah.


A banda é velha conhecida londrinense e bebe principalmente do universo do Manguebeat. Mas esse clima nostálgico da produção de um Brasil dos anos 90 parece permeado, também, por um desejo maior, de talvez acessar as feridas do país.


O show faz parecer que para a Etnyah esse Brasil profundo está traduzido na energia da rua. O vocalista Giovani subiu ao palco vestindo máscara de palhaço macabro, usando blazer surrado por cima de uma camiseta justa e muito curta - a performance buscava o incômodo, uma provocação pela via do caótico, da loucura. O mesmo acontece com as letras da Etnyah, aliás, que abordam as dimensões do político e do social, da desigualdade do país e principalmente da alienação.



O vocalista Giovani, ao contrário | Crédito: Allan Puzzy


O repertório, portanto, faz essa viagem pelo maracatu, pelo Recife de Chico Science, e também incluiu forró, teve a apresentadora Naná Silva tocando agbê no palco, além de uma referência a Chico César, com “Alma não tem cor” - escolha ousada diante da crítica recente que a produção do evento sofreu, pela falta de mulheres e negros no line up - e também teve Se Liga, música nova da Etnyah, apresentada pela primeira vez no palco da Barbada, um grito cansado das correntes de whatsapp.


Mais tarde, em entrevista para o Marcelo Sapão, Giovani trouxe um panorama do trabalho da banda, e também refletiu sobre o show, lembrando desse momento como "um momento difícil para todo mundo, um momento que afeta a todos". Daí, talvez, a necessidade que a Etnyah encontra em fazer um show essencialmente crítico.


A banda, na verdade, abriu alas para os debates sociais que permeariam também os outros shows do final de semana. E o clima, embora brasileiro na essência, revelou uma energia punk, rueira, suja mesmo, trash.


O show pode ser assistido na íntegra no Youtube, e nós recomendamos ver na TV, uma vez que a apresentação tem conversas e o palco é produzido para ser visto na tela. O link de acesso é esse aqui. E nele você também encontra o show da banda Caburé Canela, que nós registramos neste outro texto.


Acompanhe a programação da Barbada e as reflexões do Tapete Voador. No próximo final de semana se apresentam duas bandas do nosso casting, a Sala de Estar e o Aminoácido.


Você pode ouvir a Etnyah aqui.


Por Isabela Cunha


Etnyah e a rua no palco | Crédito: Allan Puzzy

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